Nervos magoados

“Doutora meu problema são os nervos magoados“.

Achei curioso aquele jeito de falar sobre sua dor. Maria* me contou que sentia muita dor nas pernas e nos pés, uma dor intensa, que pareciam pontadas de mil agulhas somadas e não a deixavam caminhar. Esse tipo de dor chamamos no “mediquês” de neuropatia – vem do grego neuro- nervo, e pathos- doença, sofrimento.

“Conta mais, Maria.” “Tudo começou quando meu marido faleceu. Antes era uma pontada aqui outra lá. Eu já não tinha mais que preparar comida, também fui comendo menos. E não tinha ânimo de cuidar das plantas. Fui ficando mais sentada conforme as agulhadas iam magoando os nervos”.

Ali entendi que havia sim uma condição biológica que fazia com os nervos da Maria causassem dor e precisava ser tratada com remédios que aliviassem isso, também algumas sessões de reflexologia, massageando os pontos das solas dos pés que são relacionados aos meridianos da acupuntura, já que acupuntura mesmo, com agulhas, não seria uma boa ideia para a Maria.

Percebi também que havia outro tipo de nervo magoado, um “nervo da Alma”. Para esse não havia medicação que pudesse curar. Mas existiam outros tipos de remédios: um ouvido acolhedor, um café com bolo, terapia, artes, natureza e uma boa dose de espiritualidade.

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Isso também faz parte da receita quando praticamos Medicina Integrativa, uma abordagem que leva em consideração todas as esferas da pessoa, incluindo a física, emocional, mental, social, espiritual, além do ambiente em que esta pessoa vive. Associar aos remédios já consagrados pela medicina oriental moderna práticas que nos façam perceber nossas necessidades a cada momento e recursos que ajudem a atendê-las.  

Assim cada um é capaz de desenvolver autonomia para cuidar de si, com estratégias mais naturais e menos invasivas, usando remédio apenas quando necessário. Esse jeito de cuidar integralmente da saúde, esse sim eu acredito que pode ajudar a diminuir as mágoas dos nervos da Maria!

Dia 23 de janeiro é o Dia Internacional da Medicina Integrativa

Regina Chamon (@drasanguebom) é médica da Lapinha Spa. Une a medicina com as práticas de bem-estar para te inspirar a cultivar corpo, mente e coração mais saudáveis todos os dias.

* nome fictício

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Será que você é um comprador compulsivo?

Quando compramos algo, a sensação de satisfação é instantânea, afinal, como não ficar feliz depois de adquirir aquela roupa que você estava querendo há tempos? Apesar de ser uma experiência positiva para muitos (mas não para a fatura no final do mês) e ser romantizada pela cultura pop exaltando personagens como Carrie Bradshaw (Sex and the City) ou Cher (As Patricinhas de Bervelly Hills) cerca de 8% da população mundial compra de modo compulsório, afetando não apenas sua vida financeira, como social também.

Conhecida como oniomania, a doença pode estar ligada a diversos fatores, desde o vício pela sensação que comprar representa até mesmo alterações enzimáticas. “A oniomania também pode estar relacionada a desregulamento de neurotransmissores de dopamina e serotonina, por isso é fundamental a avaliação de um médico psiquiatra”, explica Marilene Kehdi, psicóloga. Além disso, a profissional conta que muitas pessoas com depressão podem comprar compulsivamente, como uma forma de amenizar a dor. “É como se fosse uma válvula de escape para esse sofrimento”, finaliza.

Como saber se sou um comprador compulsivo?

Se você já está repensando todo o seu consumo, há alguns padrões de comportamento que podem indicar a oniomania e que você deve ficar atento:

1- Você está sempre refém do cartão de crédito

Pessoas que fazem compra compulsivamente não medem os seus gastos. Por isso, é muito comum que acabe estourando o limite do cartão, levando a um ciclo vicioso: a pessoa acumula dívidas, solicita outros cartões, e acaba se endividando neles também, pois não consegue controlar o desejo de comprar.

2- Você esconde suas compras de familiares e amigos

Voltou para casa com aquela compra escondida na bolsa? Muitos compradores compulsórios, mesmo não conhecendo a doença pelo nome, sentem vergonha de suas aquisições, já que gastar demais (e além do que se tem) é visto de maneira negativa. Por isso, eles possuem o hábito de esconder os objetos com medo do julgamento.

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3- A vontade de comprar aumenta em momentos estressantes

Como Marilene Kehdi explicou, o ato de comprar se torna uma válvula de escape para o indivíduo. Sentimentos como tristeza, estresse, cansaço, nervosismo ou ansiedade podem despertar um desejo por compras como forma de aplacar os mesmos, pois o ato da compra traz uma sensação de euforia imediata.

4- A frustração volta assim que você sai da loja

A euforia que vem com a compra logo é substituída por sentimentos negativos como culpa, decepção e a frustração. Pensamentos como “por que eu fiz isso?” e arrependimento são comuns, mas não impedem que a pessoa volte a fazer compras em outros momentos.

5- Você recorre a empréstimos

Mesmo endividado e sem dinheiro, o comprador compulsivo não quer parar de fazer compras. Por isso, recorre a empréstimos com amigos e familiares, e até mesmo a empréstimos bancários, para continuar bancando o vício.

Formas de tratamento

O tratamento é a base da psicoterapia, terapia cognitivo comportamental e também de acompanhamento psiquiátrico que pode ser de grande ajuda  no controle desse comportamento e até mesmo no encontro da possibilidade de cura da doença. Mas além disso, é importante também ter um acompanhamento – e controle financeiro.

Segundo André Barretto, fundador e CEO da plataforma de orientação financeira n2 app, o planejamento pode ajudar a visualizar melhor o quanto se ganha e o quanto se gasta, ajudando na consciência financeira. “Quando tomamos consciência e conseguimos organizar os valores que gastamos e os que recebemos, melhoramos a nossa relação com o dinheiro. A orientação financeira é uma ferramenta importante para que as pessoas tenham cada vez mais discernimento, evitem gastos supérfluos e consigam poupar e quitar as dívidas acumuladas”, explica. “É importante ressaltar que, no caso de compradores compulsivos, o planejamento financeiro, sozinho, não é suficiente. O acompanhamento terapêutico profissional é indispensável”, finaliza Barretto.

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